domingo, janeiro 28, 2007
Varzim goleado em sua casa pelo Rio Ave em disputado derbi local, a contar para a Liga de Honra
Antes do início da partida foi guardado 1 minuto de silêncio em memória das vítimas (seis caxineiros) do naufrágio do barco "Luz do Sameiro".
Fonte: Póvoa Semanário -28-1-007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
O escritor e editor valter hugo mãe lançou um novo livro de poesia "pornografia erudita".
O escritor e editor valter hugo mãe, residente nas Caxinas, lançou um novo livro de poesia "pornografia erudita", editado pela cosmorama. A fotografia da capa do livro é do fotógrafo vilacondense Nelson D'aires. Quem quiser adquirir o livro poderá entrar em contacto com o editor e encomendá-lo via correio.O escritor valter hugo mãe apresenta já uma obra com uma extensão considerável:
Romance:
“o nosso reino”, Temas e Debates, 2004. Capa de António Rochinha Diogo sobre pintura de Artur do Cruzeiro Seixas
Poesia:
“livro das maldições”, objecto cardíaco, 2006
“o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas”, Cadernos do Campo Alegre, 2003. Capa de Adriana Calcanhotto
“útero”Quasi Edições, 2003. Capa sobre pintura de David Tibet.
“a cobrição das filhas”, V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2001.
“três minutos antes de a maré encher” Quasi Edições, 2004. Posf. de Jorge Listopad.
“estou escondido na cor amarga do fim da tarde”, Campo das Letras, 2000. Desenho da capa de Isabel Lhano.
“egon schielle auto-retrato de dupla encarnação”, Porto, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Prémio Almeida Garrett, 1999.
…
Antologias (org.):
“Desfocados pelo Vento, A Poesia dos Anos 80, Agora, org., selecção e introdução. V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2003.
O futuro em anos luz – cem anos, cem poetas, cem poemas, org., selecção e introdução. V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2001.
Quem quer casar com a poetisa, poesia de Adília Lopes, org. selecção e posfácio. V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2001.
Série Poeta, Homenagem a Júlio - Saúl Dias, org.. V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2000.
O Encantador de Palavras, poesia de Manoel de Barros, org. e selecção. V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2000.
Afectos e outros afectos , com Jorge Reis-Sá e Isabel Lhano, V.N. Famalicão, Quasi Edições, 2004. Prefácio de Mário Soares.
...
Tem ainda contribuído com textos da sua autoria para diversas antologias.
Valter hugo mãe nasceu em 25 de Setembro de 1971, na cidade Henrique de Carvalho (hoje conhecida por Saurimo), em Angola. Em 1974 passou a viver em Paços de Ferreira. Em 1980 fixou-se em Vila do Conde, nas Caxinas. Foi sócio-gerente da editora Quasi Edições entre 2001 e 2005. Em 2006 criou e passou a dirigir a editora "objecto cardíaco" (blogue) com sede em Vila do Conde. Possui um blogue pessoal intitulado "casa de osso" e foi colaborador entre 2005 e 2006 do blogue "da literatura".
A foto acima reproduzida é do website (acima citado) de V. H. Mãe.
domingo, janeiro 14, 2007
"Comissão para o Salvamento dos Homens no Mar" passa a "Associação Pró-Maior Segurança dos Homens no Mar" e demanda mais medidas de segurança .
Presente na reunião, que decorreu no salão paroquial de Caxinas, Vila do Conde, esteve o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte. António Macedo destacou a relevância do movimento "para despertar consciências e obrigar a uma maior atenção a estes problemas", anunciando que, a 17 de Março, vai decorrer no mesmo espaço um encontro técnico "para reflectir e aprofundar experiências". Os "camaradas da vizinha Galiza" já demonstraram vontade em participar e, para além dos inevitáveis profissionais do sector, serão convidadas todas as associações e sindicatos. O sindicalista apelou ainda para que, futuramente, as vistorias de fiscalização a embarcações sejam encaradas como acções de sensibilização e segurança, aconselhando, inclusive, o uso de coletes.
Todos os intervenientes se congratularam com as medidas anunciadas pelo ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, embora as considerem ainda insuficientes. Para que as medidas funcionem é necessário um reforço de pessoal no Instituto de Socorros a Náufragos, adiantou António Macedo, segundo quem "são necessários, no mínimo, duzentos homens para que as coisas funcionem 24 horas por dia e não apenas das 9h às 17h".
Na carta que a agora associação pretende enviar ao ministro da Defesa constam, entre outras reivindicações, a necessidade de "mais salva-vidas [foram já anunciados três], mais homens com menos idade e mais postos em terra", informou José Festas, apesar de ter consciência de que o governante "não pode dar mais de imediato". O representante da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens no Mar mantém ainda a convicção de que vai ser recebido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, a quem pretende transmitir pessoalmente os anseios dos homens que trabalham no mar.
O presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, reiterou a necessidade de prestar um maior apoio às famílias das seis vítimas do naufrágio da embarcação Luz do Sameiro. "Estou muito preocupado com os dramas nas famílias e não falo só do aspecto psicológico, mas também do facto de estas pessoas, sem os entes que morreram, terem despesas mensais imensas para aquilo que são os seus rendimentos", disse Mário Almeida. Segundo o autarca, o Estado devia assumir as suas responsabilidades e indemnizar as famílias, já que o dinheiro dos seguros é manifestamente "insuficiente" para fazer face às suas necessidades.
"Não me digam que era humanamente impossível fazer mais alguma coisa, quando sabemos que a Polícia Marítima e os bombeiros não tinham levado para o local os meios necessários", acusou, acrescentando que o helicóptero afecto aos Bombeiros e Protecção Civil de Santa Comba Dão poderia ter chegado ao local em 45 minutos, mas ficou à espera de autorização para avançar.
José Festas apelou ainda à alteração da lei que impede as famílias de vítimas cujos corpos não aparecem de receber as indemnizações devidas até passarem cinco anos: "É certo que os pescadores não passam fome, mas vivem mal."
Fonte: Diário de Notícas - 13-1-007
Pescadores exigem que Estado assuma as suas responsabilidades
"A culpa do que aconteceu na Nazaré com a embarcação “Luz do Sameiro” não pode morrer solteira. Esta é a convicção de armadores e pescadores e também da Câmara Municipal que pretendem que sejam apuradas responsabilidades pela ineficácia dos meios de salvamento
Contente, mas não totalmente satisfeita. É assim que a comunidade piscatória das Caxinas, Vila do Conde, se sente com as medidas de anunciadas pelo Governo, na passada sexta-feira, e que visam o reforço dos meios de salvamento para os homens do mar. O porta-voz da Comissão para a Melhoria das Condições de Salvamento dos Homens do Mar, José Festas, reuniu, sábado de manhã com mais de uma centena de pescadores, armadores, elementos ligados à actividade do mar e autarcas locais para anunciar que as medidas não são suficientes, sendo que, pretendem ainda "apurar responsabilidades" em relação ao naufrágio Luz do Sameiro.
Recorde-se que o ministro da Defesa prometeu mais três salva-vidas para o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), um helicóptero durante o Inverno em Ovar, e a implementação do Sistema Nacional de Comunicações de Socorro e Segurança Marítima, o que vai permitir, de forma mais rápida e eficaz, a localização das embarcações.
A comissão vai agora, através de José Festas, escrever ao Ministério da Defesa e também ao presidente da República para exigir o cumprimento das restantes medidas constantes do manifesto da comissão o reforço de meios humanos no ISN. Medidas que passam pelo funcionamento dos salva-vidas 24 horas por dia, meios aéreos e pessoas aptas que operem no sistema de vigilância das embarcações de pesca 24 horas por dia e mais postos de salvamento ao longo da costa.
A reunião nas Caxinas serviu ainda para a comissão conseguir a anuência de 120 mestres e 150 tripulantes de embarcações para a constituição de uma associação e que tem como objectivo representar os homens do mar de "todo o país" e fazer com que situações como a que ocorreu com a Luz do Sameiro "não se voltem a repetir".
No mesmo dia
Fonte: Póvoa Semanário 13-1-007
Reunião de profissionais da pesca no Salão Paroquial das Caxinas,
"Mais de centena e meia de profissionais da pesca reuniram-se hoje [13 de Janeiro] no Salão Paroquial das Caxinas, numa iniciativa que contou também com a presença dos Sr. Presidentes da Câmara e Junta de Freguesia de Vila do Conde, associações de armadores e o Sindicato, e que foi promovida pela Comissão Pró-maior Segurança para os Pescadores, a qual foi protagonizada pelo Amigo José Festas que é Presidente da mesma e que surgiu na sequência da tragédia que foi o naufrágio da “Luz do Sameiro”.
Enquanto convidados o Sindicato, que desde a primeira hora manifestou o apoio a este movimento que agora pretende organizar-se em Associação, bem como a todas as iniciativas que se realizem no sentido da defesa da salvaguarda da vida humana e da pesca em geral (o que tem sido sempre apanágio deste Sindicato, da Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca e da CGTP em que esta filiado) sendo que mesmo antes havíamos já reivindicado junto do Governo a investigação da forma como funcionaram os meios de socorro neste e outros naufrágios;
O Sindicato uma vez mais se fez representar e intervir neste encontro.
Das conclusões que se podem tirar pode-se sublinhar a importância que teve o movimento protagonizado por José Festas com grande empenho e com as características que lhe são muito pessoais, o qual se reconhece obrigou a uma maior mediatização das questões de segurança e consequentemente a que o governo fosse obrigado vir a terreno assumir algumas das propostas que nalguns casos estão programadas há já mais de 3 anos como o é o caso dos 3 navios salva-vidas ( que não são para substituir os 3 semi-rigidos e as 10 motos de agua para a caça a multa ).
Reafirmou-se a necessidade de mais meios, mais 6 salva-vidas alem dos 3 anunciados, bem como o heliporto no norte que se sugere seja em Vila do Conde, onde dispõe de terrenos há já 20 anos e onde se situa aquela que será maior comunidade piscatória do pais, razão pela qual haverá mais sensibilidade para o mesmo, sentindo-se os pescadores mais protegidos.
Também a necessidade da coordenação dos meios aéreos, marítimos, civis e militares de forma automática e durante 24 horas, foi uma das reclamações referidas. Na óptica do Sindicato, a falta de pessoal é um dos principais problemas, já que o ISN apenas dispõe de 80 profissionais dos 130 que lhe são aprovados, sendo necessário mais de 200 para que os serviços funcionem minimamente nas 24 horas do dia e não apenas das 9.00 Horas ás 17.00 dos dias úteis, questão à qual ninguém ouviu o Sr. Ministro da Defesa ontem pronunciar-se.
Da reunião foi decidido aguardar pelo desenvolvimento das medidas agora apontadas pelo Governo.
“Esperamos” que seja feita de facto uma “reflexão serena” como o afirmou o Sr. Ministro, que aponte para medidas que levem a que no futuro se tenha a certeza de que tudo foi mesmo feito para salvaguarda das vidas humanas.
Mas… com o “esperar não é saber, e quem espera não faz acontecer” o Sindicato, contando com o apoio do movimento, das associações presentes bem como da Câmara Municipal de Vila do Conde na pessoa do seu Presidente, Dr. Mário de Almeida e da Junta Freguesia de Vila do Conde, anunciou desde já a realização de um Seminário / Encontro sobre a Segurança Marítima para o próximo dia 17 de Março em Vila do Conde.
Propôs-se também que as acções de Vistoria das Condições de Navegação das Embarcações e dos Meios de Socorro, deixem de ser meras “acções de fiscalização” e passem a ter uma componente de formação e sensibilização para as questões de segurança com o envolvimento e presença de toda a tripulação."
"Comissão para o Melhor Salvamento dos Homens do Mar" razoavelmente satisfeita com as medidas anunciadas pelo Governo
«O que o ministro nos deu ainda é pouco, mas estamos convencidos de que aquilo que nos deu era o que nos podia dar agora», afirmou José Festas, porta-voz da comissão, em declarações à Lusa no final de uma reunião que decorreu no Salão Paroquial das Caxinas, Vila do Conde.
Na sequência do acidente com a traineira «Luz do Sameiro», a 29 de Dezembro, na Nazaré, que provocou a morte a seis pescadores, o ministro da Defesa anunciou sexta-feira um conjunto de medidas para melhorar as condições de segurança e de salvamento.
Um novo sistema de comunicações de socorro, um helicóptero em permanência na base de Ovar e a entrada em funcionamento de mais três barcos salva-vidas foram algumas das medidas anunciadas.
«Estas medidas são boas, nós ficamos contentes com elas, mas não estamos satisfeitos», frisou José Festas, salientando que os trabalhadores do mar pretende ainda, entre outras medidas, «mais e melhores salva-vidas», mas também que os elementos ligados aos serviços de socorro «estejam de prevenção 24 horas por dia». «Se nós trabalhamos no mar 24 horas por dia, os homens da prevenção também o devem fazer», defendeu.
José Festas salientou ainda a importância da conjugação de esforços entre os ministérios da Defesa, Administração Interna e Agricultura e Pescas no que se refere aos salvamentos marítimos. «Isto para nós é importantíssimo, porque estas três áreas estão envolvidas no salvamento de pessoas no mar. O mais importante é que as pessoas em perigo sejam salvas e que todas as entidades envolvidas actuem rapidamente e em coordenação», afirmou.
Na reunião que decorreu esta manhã em Vila do Conde foi também decidido que «a comissão vai passar a ser uma associação». «Esta decisão foi aprovada por todas as pessoas presentes na reunião», salientou José Festas, frisando que a medida «não visa apenas ajudar os homens do mar, também deve ser vista como uma ajuda ao Governo, que ganha um interlocutor em questões de segurança no mar». «É importante que se perceba que não estamos a pedir nada para as pescas, mas para todos os homens que andam no mar, desde profissionais até aos turistas», frisou."
Fonte: Diário Digital/Lusa - 13-1-007
Ministério da Defesa apresenta novas medidas para salvamento no mar
O ministro da Defesa Nacional Nuno Severiano Teixeira falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa para apresentar as conclusões do processo de averiguação que ordenou depois do naufrágio de uma embarcação dia 29 de Dezembro perto da Nazaré, em que morreram seis pescadores.
"Foi feito aquilo que era humanamente possível, mas admite-se também nos relatórios que possam ser optimizados tempos e revistos procedimentos", revelou o ministro. Segundo Nuno Severiano Teixeira, no caso do Luz do Sameiro os procedimentos a rever não serão "tanto na identificação do local, mas na activação do meio e empenhamento do meio".
Nesse sentido, o ministro anunciou a adopção de um Sistema Nacional de Comunicações de Socorro e Segurança, em articulação com o Sistema de Controlo de Tráfego Marítimo, cujo concurso será lançado este ano. "Existe um sistema que está a funcionar, que se baseia em meios tradicionais. Isto é um `upgrade` desse sistema que vai permitir uma maior eficácia e menos ambiguidades na localização das embarcações", disse.
Severiano Teixeira anunciou ainda o destacamento, durante o Inverno, de um helicóptero ligeiro Alouette III em permanência no Aeródromo de Manobra Número Um, em Ovar. Ainda este ano "entrarão ao serviço três novas embarcações do Instituto de Socorros a Náufragos, a primeira das quais já no próximo mês de Maio", acrescentou.
O ministro anunciou ainda que, no quadro do novo Programa Operacional das Pescas, será dado apoio financeiro à formação dos pescadores e à modernização do equipamento de segurança das embarcações, como sondas, GPS, radares, coletes de salvação, bóias e outros equipamentos de navegação. Severiano Texeira determinou igualmente à Inspecção-Geral da Defesa Nacional a realização, no prazo de 30 dias, de uma auditoria aos procedimentos de busca e salvamento em vigor na Marinha e na Força Aérea.
Em conjunto com o Ministério da Administração Interna, "será efectuado, no prazo de 60 dias, um estudo com o objectivo de obter uma melhor rentabilização e articulação de todos os meios susceptíveis de emprego em situações de busca e salvamento", anunciou igualmente o ministro da Defesa."
Fonte: Barlavento Online -13-01-007
Ver ainda
sábado, janeiro 13, 2007
'Luz do Sameiro' só podia ser salva por meios aéreos
Na posse dos resultado dos dois relatórios, efectuados pela Marinha e Força Aérea, Severiano Teixeira disse na conferência de imprensa de ontem à tarde que "de acordo com os relatórios era correcto o salvamento por via aérea". Recorde-se que o helicóptero, embora tardiamente, ainda conseguiu salvar um tripulante ucraniano, mas os restantes morreram.
"O cenário era difícil, com condições adversas, estando a embarcação com fortes correntes e em rebentação", pormenorizou o ministro, adiantando que na "Luz do Sameiro" houve impossibilidade da tripulação "usar coletes de salvação, jangadas e socorro via rádio", devido ao carácter repentino com que se alteraram as condições de segurança da embarcação.

Severiano Teixeira disse que a embarcação estava "encalhada" e "sem profundidade para navegação", o que impediu que o navio? Baptista de Andrade procedesse ao salvamento. O mesmo aconteceu por via terrestre, devido "à localização e ao derrame de combustível, assim como um volume grande de redes" que se encontrava à volta da embarcação.
"É preciso apurar se era possível ter ganho tempo. É a interrogação responsável que se impõe pela necessidade de corrigir eventuais falhas ou descoordenação", salientou o ministro, concluindo que "foi feito o humanamente possível naquelas circunstâncias"."
Fonte: Diário de Notícias - 13-1-007
O presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, solicita ao Estado que indemnize as famílias das vítimas do "Luz do Sameiro"
«Creio que seria justa uma indemnização do Estado perante os claros sinais de negligência verificados», afirma o autarca em carta enviada hoje aos ministros da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, e da Agricultura e Pescas, Jaime Silva .
Numa declaração proferida no passado dia 5, o Chefe do Estado-Maior da Armada assumiu responsabilidades pelas tentativas falhadas de salvar do mar os seis pescadores do barco. Um dia antes, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, dissera que o governo vai tomar medidas no sentido de reforçar os meios de socorro a náufragos, mostrando «preocupação» face ao que aconteceu no naufrágio da Nazaré.
«Parece claro ter havido uma efectiva descoordenação na forma de se tentar o salvamento dos homens que o suplicavam, agarrados à embarcação», escreve agora Mário de Almeida, na sua carta a Nuno Severiano Teixeira e Jaime Silva. Na missiva, cuja cópia foi facultada à agência Lusa, o autarca refere situações de «evidente» carência financeira dos familiares das vítimas, todos da comunidade piscatória das Caxinas, em Vila do Conde.
As famílias poderão receber 50 mil euros do seguro de vida, mas, no caso dos pescadores cujos corpos ainda não resgatados, a atribuição desse montante fica em suspenso. Esta indemnização implica comprovação do óbito por certidão, que, por sua vez, só pode ser passada após o aparecimento do corpo.
Por outro lado, o seguro de acidentes de trabalho, a definir pelo tribunal, será de «valor baixo», argumenta Mário de Almeida. Reiterando uma disponibilidade anteriormente assumida, o autarca disponibilizou um «espaço apropriado» para a instalação no seu concelho de um posto de controlo da costa. Reiterou ainda que o Estado deve assegurar um socorro no mar 24 horas por dia, através de salva-vidas e de helicópteros sedeados em vários pontos da costa portuguesa.
O «Luz do Sameiro» naufragou a 29 de Dezembro, a poucas dezenas de metros da Praia da Légua, na zona da Nazaré, com sete pescadores a bordo, e apenas um sobreviveu. Três cadáveres viriam a ser recolhidos pouco tempo depois do naufrágio, continuando desaparecidos outros três corpos. Já esta terça-feira foi encontrado um corpo em decomposição na Praia da Falca, poucos quilómetros a Sul do local do naufrágio, mas não há ainda indicação sobre se era tripulante do «Luz do Sameiro»."
Fonte: Diário Digital -11-1-007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
País surdo aos sinais de socorro!
O ‘Luz do Sameiro’ tinha a bordo todos os meios de socorro exigidos por lei: coletes para os sete tripulantes, balsa salva-vidas, bóia de emergência que em contacto com água emite um sinal por satélite – e o rádio com um simples botão capaz de indicar o preciso local do naufrágio. O pesqueiro, matriculado no porto de Vila do Conde, foi inspeccionado em Setembro do ano passado. Estava tudo em ordem.
Na última sexta-feira do ano, dia 29, encalhou num banco de areia, a menos de 100 metros da praia da Légua, a norte da Nazaré. A bóia de emergência, em forma de garrafa, flutuante, funcionou: o sinal foi captado pelo satélite e chegou precisamente às 06h42 à base de rastreio de Toulouse, em França.
Como o CM já noticiou, na edição de 6 de Janeiro, a informação de França foi enviada numa questão de segundos para o centro de busca e salvamento, instalado no ‘bunker’ da NATO, em Oeiras, mas sob a responsabilidade da nossa Marinha de Guerra – que só uma hora e 45 minutos depois, demasiado tarde, chamou os meios de socorros.
Além desta bóia de emergência, o ‘Luz do Sameiro’ tinha a bordo um rádio, como é da lei, equipado com um simples botão vermelho. Em caso de grave perigo, basta pressioná-lo durante cinco segundos. Nem é preciso falar. O sinal chega à costa e permite duas coisas: identificar o barco e conhecer, com rigor matemático, a posição do naufrágio.
Mas ao longo da costa portuguesa, de Caminha a Vila Real de Santo António, não existe uma única estação de rádio para escutar os pedidos de ajuda. Os gritos de socorro perdem-se – ninguém os ouve.
Inácio Maio, o mestre do ‘Luz do Sameiro’, tinha a bordo dois meios para lançar o alerta: a bóia de emergência (conhecida como EPIRB, do inglês Emergency Position Indicacion Radio Beacon), e o rádio com um GPS integrado.
A bóia, que tanto pode ser accionada manualmente como pode soltar-se do barco em contacto com a água, indicou imediatamente o nome do barco e a latitude do naufrágio – uma linha imaginária, paralela ao Equador, que começava a escassas milhas a norte da Nazaré e terminava na costa dos Estados Unidos. A Marinha devia ter enviado imediatamente para a zona da Nazaré os meios de socorro. Não o fez. Esperou que um segundo sinal captado pelo satélite indicasse a posição exacta da bóia. Mas, às 07h15, o centro de busca e salvamento da Marinha já sabia que o ‘Luz do Sameiro’ naufragara na praia da Légua – e só pelas 08h30 accionou os meios de socorro.
Além da bóia, terá o mestre Inácio Maio carregado no botão vermelho do rádio. Se o fez, emitiu um sinal com a posição exacta do barco em dificuldades – inútil sinal, porque ninguém em Portugal o ouviu.
Estivesse ele na costa mais a norte ou encostado na foz do Guadiana, no Algarve, o seu grito de socorro teria sido recebido por um dos centros de busca e salvamento no mar instalados em Espanha.
O Trágico destino da "Salguerinha"
Ainda hoje permanece em mistério o naufrágio da ‘Salgueirinha’ – uma traineira que se afundou ao largo da barra de Aveiro, na noite de 18 de Outubro de 2004, com sete pescadores de Caxinas a bordo. Ninguém se salvou. O mar estava alteroso, mas nada de meter medo a uma traineira de 17 metros de comprimento e um motor novo. O pior era o vento forte e a chuva grossa.
O mestre, José Viana, reconhecido com respeito pelos demais homens de Caxinas, falou com a mulher, ao telemóvel: estava para aí a duas milhas da barra e navegava devagar, com um vigia à proa por causa da ventania e da fraca visibilidade. A conversa foi curta. O mestre desligou dizendo à mulher que “o Armando estava aos gritos na proa”.
Armando era o vigia – e competia-lhe avisar o mestre, na casa do leme, mal avistasse outro barco em rota de colisão. Sabe-se que o vigia gritou – mais nada. Se o mestre carregou no botão do rádio – o pedido de ajuda não foi ouvido. Nessa noite, nenhum meio de socorro acudiu à ‘Salgueirinha’.
2500 Pescadores e 500 Barcos estão entregues à sua Sorte
Todos os dias saem para o mar quase 500 barcos portugueses de pesca costeira com cerca de cerca de 2500 homens a bordo. Os pescadores estão entregues à sua sorte. Toda a costa europeia está coberta por estações de rádio que captam os pedidos de socorro enviados por embarcações em dificuldades – excepto os cerca de 900 quilómetros que se entendem de Caminha, na Foz do Rio Minho, a Vila Real de Santo António, na Foz do Guadiana, no Algarve.
A costa portuguesa está surda aos gritos de quem anda no mar. Os armadores de pesca estão obrigados, desde 1999, a instalarem nos barcos o rádio com GPS integrado. Mas nestes últimos sete anos nem uma estação foi construída para captar o sinal de que há vidas em perigo no mar.
O mapa reproduzido nestas páginas mostra a cor-de-laranja as zonas de costa debaixo da cobertura deste dispositivo de emergência. Do Norte da Europa até Espanha – é um oásis de segurança. Entre Caminha e Vila Real de Santo António –o perigo espreita.
Pormenores:
1999
Os armadores de pesca costeira estão obrigados, desde 1999, a instalarem nos barcos os rádios com GPS integrado que permitem, através de um botão, emitir pedidos de socorro. Estes sinais dão a identificação do barca e a posição exacta do naufrágio.
Preço
Os rádios com GPS integrado custam entre 900 e 1500 euros – conforme a marca. Uma bóia de emergência (EPIRB) custa entre 600 e 1600 euros.
Raio de acção
Na ausência de estações costeiras que recebam os pedidos de socorro enviados pelo rádio, a Marinha de Guerra instalou nos navios aparelhos que captam os sinais. Os rádios que equipam os barcos de pesca apenas são eficazes num raio de 40 milhas (o equivalente a cerca de 70 quilómetros). Os pesqueiros não ultrapassam esta distância da costa. E nem sempre está um navio da Marinha de Guerra a menos de 40 milhas de um barco de pesca.
Marinha de Guerra
A Armada, ao longo da costa entre Caminha e Sagres, apenas mantém no mar dois navios – quase sempre uma fragata e uma corveta. Ao largo da costa algarvia, entre Sagres e Vila Real de Santo António, navegam pequenas patrulhas. Os cerca de 900 quilómetros estão desprotegidos.
Acordos
Portugal é subscritor da Convenção Internacional para a Salvaguarda das Vidas no Mar e, por isso, obrigou-se a instalar na costa as estações para captação de pedidos de socorro.
Sete Ministros com culpa
A construção de estações costeiras que permitam captar os pedidos de socorro vindos do mar é da responsabilidade do Ministério da Defesa. Desde 1 de Fevereiro de 1999, quando passou a ser obrigatória a instalação de rádios com GPS nos barcos de pesca, até agora, o País conheceu sete ministros da Defesa – em nenhum dos mandatos a costa portuguesa ficou mais segura.
Veiga Simão tomou posse a 25 de Novembro de 1997 e abandonou o Ministério da Defesa a 29 de Maio de 1999 – já estava em vigor a obrigatoriedade de as embarcações de pesca terem a bordo o bendito rádio. Sucedeu-lhe Jaime Gama, que lá esteve até Outubro de 1999. Nada foi feito. Em mais um Governo chefiado por António Gueterres, tomou posse um terceiro ministro da Defesa – o advogado Júlio Castro Caldas, que ocupou o cargo entre Outubro de 1999 e 2 de Julho de 2001. Saiu Castro Caldas, entrou Rui Pena. No seu mandato, que durou até Abril de 2002, a costa portuguesa continuou surda aos pedidos de socorro vindos do mar.
Novo Governo, desta vez chefiado por Durão Barroso, novo ministro – Paulo Portas, que se manteve no Ministério da Defesa até Julho de 2004. Terá sido, porventura, o mais mediático e tonitruante dos ministros. Ainda assim, a costa portuguesa, ao contrário do resto da Europa, continuou de ouvidos moucos aos gritos de SOS lançados do mar. Novo primeiro-ministro, José Sócrates, outro ministro da Defesa – Luís Amado: tomou posse em Março de 2006, até que, em Julho do ano seguinte, substituiu Freitas do Amaral nos Negócios Estrangeiros. Veio Severiano Teixeira. Está há seis meses no cargo."
Manuel Catarino
Fonte: Correio da Manhã -12 -1-007
Ver ainda
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Reclamadas as indemnizações para as famílias das vítimas do "Luz do Sameiro"
Duas semanas depois do trágico naufrágio da embarcação de pesca «Luz do Sameiro», o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde escreveu uma carta aos Ministros da Defesa e Agricultura e Pescas a solicitar explicações sobre as condições em que se deu o naufrágio e as medidas a tomar no futuro. Mário Almeida pretende também que o Estado atribua uma “justa” indemnização aos familiares das vítimas, perante os claros sinais de “negligência”.
As famílias dos quatro pescadores já resgatados – faltam ainda localizar dois corpos – têm direito a um seguro de vida de 50.000 euros e um seguro de acidentes de trabalho, a definir pelo tribunal. O autarca entende que se deve “fazer justiça” à maior comunidade piscatória do país.
“Se se vier a provar que há negligência, eu acho até que nem devia ser necessário ir para tribunal, se o estado vier a sentir que deveria ter sido mais eficiente, considerando que esta gente tão humilde vai ficar com tantas dificuldades, deve assumir essa responsabilidade”, referiu Mário Almeida.
Na missiva dirigida aos governantes, o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, refere que parece ter havido efectiva descoordenação na forma de se tentar o salvamento dos pescadores. Relativamente ao futuro e para que se evitem situações semelhantes, Mário Almeida avança com algumas medidas que passam pela localização de novos postos de controlo da costa, disponibilidade dos salva-vidas durante 24 horas e localização adequada dos helicópteros para uma intervenção imediata.
A este propósito, o autarca reforçou a disponibilidade da Câmara Municipal de Vila do Conde para a cedência de um terreno com vista à instalação de um helicóptero bem como a preparação da área para a conveniente aterragem.
Governo torce o nariz
Entretanto, o ministro das Pescas considerou “prematuro” o pedido de indemnização às famílias das vítimas do
naufrágio na Nazaré, mas remeteu uma decisão do Governo para depois de conhecidos os resultados do inquérito às operações de socorro. “Acho prematuro que sejam pedidas indemnizações quando se sabe que a Marinha esteve lá e não teve condições de segurança para salvar os pescadores”, afirmou Jaime Silva. Em declarações aos jornalistas à margem da apresentação de equipas de sapadores florestais em Fafe, o ministro Jaime Silva aconselhou os sindicatos, os políticos e os autarcas que reclamam indemnizações a “esperarem pelos resultados do inquérito”. “Ainda estamos em período de nojo, há alguns corpos que não
foram encontrados, pelo que, antes de mais, todos devemos estar solidários com as vítimas e os seus familiares”, declarou o ministro, solicitando aos políticos, autarcas e sindicatos “responsabilidade e paciência para esperar pelo inquérito que está em curso”.
Jaime Silva garantiu que “em função do seu resultado, o
Governo não deixará de tirar as devidas ilações sobre o caso”. O governante acrescentou que o inquérito terá de determinar as condições particulares que originaram o naufrágio, nomeadamente quando foi dado o alerta, porque razão o barco estava ali, qual era a sua rota e porque é que as correntes fortes o arrastaram.
Questionado sobre uma notícia ontem avançada pelo Correio da Manhã, segundo a qual os pesqueiros portugueses estão obrigados a ter um rádio com sistema de localização por satélite (GPS) para casos de emergência, mas a costa portuguesa é a única da Europa sem equipamento para receber os sinais de socorro, Jaime Silva sustentou que “as
autoridades portuguesas sabem exactamente onde vão os barcos, aonde estão a pescar e quando regressam”. O ministro explicou que o sistema de sinalização por satélite
(GPS) é obrigatório nos barcos com calado superior a 15 metros, o que não era o caso da embarcação de Vila do Conde. O “Luz do Sameiro” naufragou a 29 de Dezembro, a poucas dezenas de metros da Praia da Légua, a Norte da Nazaré, com sete pescadores a bordo, dos quais apenas um sobreviveu."
Paulo Vidal (com Lusa)
Fonte: O Primeiro de Janeiro - 11-1-007
Funeral do Mestre da Embarcação "Luz do Sameiro" enche igreja
A Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, nas Caxinas, em Vila do Conde, encheu-se mais uma vez pelos piores motivos. Depois dos funerais dos três pescadores, cujos corpos foram resgatados na altura do naufrágio, agora foi a sepultar o Mestre da embarcação «Luz do Sameiro». Entre familiares, amigos e companheiros da faina, foram muitos aqueles que lhe prestaram uma última homenagem.
O corpo do mestre foi encontrado na terça-feira de manhã por pescadores desportivos, poucos quilómetros a Sul da praia onde se deu o naufrágio. Dois pescadores da embarcação continuam por encontrar."
Fonte: TVI- 10-1-007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Encontrado o corpo de Inácio Maio, o mestre da embarcação do "Luz de Sameiro"
O corpo do mestre da embarcação ‘Luz do Sameiro’, que naufragou na praia da Légua há 12 dias, foi encontrado e retirado do mar ontem de manhã, na praia da Falca, poucos quilómetros a sul do local do acidente.
A Polícia Marítima foi alertada por um pescador, que viu o cadáver junto da rebentação, pelas 10h30, e retirado da água com a ajuda dos Bombeiros Voluntários da Nazaré. Estava em adiantado estado de decomposição e quase irreconhecível.
O corpo foi transportado para a morgue do Hospital de Santo André, em Leiria, e, a meio da tarde, viria a ser reconhecido por familiares, através de uma tatuagem no braço direito com o seu nome e por uma peça de roupa. “É o Inácio Maio, o meu filho e mestre da embarcação. Vi pelo nome escrito no braço”, disse ao CM Manuel Maio, armador da ‘Luz do Sameiro’, adiantando que a camisa que trazia vestida também foi identificada pela nora.
Manuel Maio regressou a Caxinas, Vila do Conde, onde reside, logo após o reconhecimento do corpo, por forma a preparar as exéquias fúnebres. “É um pesadelo que parece nunca mais ter fim”, disse, com a voz embargada pela tristeza de quem se despede de um filho.
O naufrágio do pesqueiro ‘Luz do Sameiro’ ocorreu a
No dia do acidente foram recuperados os corpos dos pescadores Fernando Cartucho, Ricardo Marques e José Viana. Falta ainda resgatar os cadáveres de João Cartucho e de José Ferreira. As buscas para encontrar os dois pescadores desaparecidos continuam a ser feitas, por via terrestre, por elementos da Polícia Marítima, que percorrem o areal, para Norte e Sul, em moto-quatro e em jipes.
Embarcação terá de ser desmantelada.
O pesqueiro ‘Luz do Sameiro’ deverá ser desmantelado no local onde se encontra – junto à falésia da praia da Légua – por a sua recuperação ser demasiado cara. Segundo apurámos, os orçamentos dos estaleiros navais apontam para valores superiores a 250 mil euros, o que deverá inviabilizar a sua reparação. O pesqueiro tem seis anos e estava avaliado em 450 mil euros.
Segundo Paulo Macedo, responsável pela operação de remoção, o barco de Vila do Conde apresenta danos consideráveis no casco e na estrutura, e nos equipamentos electrónicos de navegação. A operação para remoção do pesqueiro para junto da falésia da praia da Légua só ontem ficou concluída, após três dias de trabalho intenso para o levar para longe do mar, com recurso a uma plataforma especial.
Correntes dificultam buscas
As buscas para encontrar os corpos dos pescadores estão a ser dificultadas pelas várias correntes, que se cruzam na zona, e a cada dia que passa aumentam as possibilidades de não virem a ser recuperados os corpos. A Polícia Marítima está a seguir os mapas do Instituto Hidrográfico para fazer as buscas, que têm em conta as correntes de maré (provocadas pela maré alta e maré baixa), de vento e ondulação (que empurram o que está à superfície) e as correntes submersas (onde a água circula livremente), cuja acção tem de ser conjugada.
“A agravar esta imprevisibilidade, verifica-se que os corpos se afundam, após o afogamento, e só ao fim de alguns dias (consoante a temperatura da água, por exemplo) ganham flutuabilidade”, diz o comandante Braz de Oliveira, porta-voz da Marinha de Guerra Portuguesa. A tendência das correntes no local do naufrágio é para arrastar os corpos para norte, mas a existência de um fundão ali perto provoca um comportamento imprevisível das correstes marítimas. Alguns materiais e equipamentos do pesqueiro, como os coletes de salvação, também foram encontrados um pouco a norte da praia da Légua, local do naufrágio do pesqueiro ‘Luz do Sameiro’.
O ministro da Defesa está a analisar os relatórios sobre o socorro aos tripulantes do pesqueiro, elaborados pela Força Aérea e Marinha de Guerra. Os funerais dos primeiros três pescadores a serem resgatados realizaram-se na quarta-feira passada"
domingo, janeiro 07, 2007
Chefe do Estado-Maior da Armada assume responsabilidades no salvamento do "Luz do ameiro"
«Assumo todas as responsabilidades - as nossas - como é meu dever, certo que todos saberão também assumir as suas, retirando lições», afirmou o almirante Melo Gomes num documento divulgado internamente a que a Lusa teve acesso. Assinalando que apesar de «tudo» terem feito para salvar os pescadores do Luz do Sameiro, Melo Gomes reconhece que a Marinha «nunca conseguirá explicar ao público» o facto de não ter podido salvar todos os sete tripulantes «a tão curta distância da praia».
Melo Gomes afirma-se seguro «da eficácia» com que os marinheiros utilizaram os meios ao seu dispor e sublinha que «só os que são do mar» podem compreender inteiramente uma situação como a que aconteceu na Nazaré. «Melhorar e optimizar» são os objectivos apontados por Melo Gomes para a Marinha, para os quais conta com «mais e melhores meios, alguns já em construção, outros programados para breve», embora reconheça que «infelizmente nem todos são possíveis face a muitas outras solicitações do Estado».
O CEMA estende aos marinheiros «o reconhecimento devido», aos que «365 dias por ano, 24 horas por dia, dão de si o melhor para cumprirem as suas missões». Apesar de não ter conseguido salvar as vidas de seis dos tripulantes, a Marinha está orgulhosa «das 435 vidas salvas nas 661 acções de busca e salvamento» realizadas em 2006, ressalva o almirante Melo Gomes.
A operação desencadeada para tentar salvar os tripulantes do Luz do Sameiro foi alvo de várias críticas, nomeadamente do dono da embarcação e de vários populares que assistiram às tentativas de resgate, que reclamavam mais rapidez na chegada dos meios ao local. O naufrágio levou também o ministro da Defesa a pedir que fossem averiguados os factos em torno do naufrágio, nomeadamente em relação aos procedimentos da Marinha e da Força Aérea.
Sindicatos, pescadores e municípios reclamaram mais meios de segurança para os portos, enquanto o PCP pediu também a realização de um inquérito ao acidente pela comissão parlamentar de Defesa."
Fonte: Lusa/SOL - 6-1-007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Ministério Público abre inquérito ao naufrágio na Nazaré.
Fonte judicial, citada pela agência Lusa, adiantou que se trata de um procedimento normal nestes casos, a fim de saber as circunstâncias do acidente e atribuir responsabilidades. Segundo recorda o Diário Digital, o naufrágio do barco «Luz do Sameiro» na Praia da Légua, concelho de Alcobaça, provocou três mortos e três desaparecidos, pelo que apenas um pessoa foi resgatada com vida."
Fonte: Fábrica dos Conteúdos - 4-1-007
Representante dos pescadores recebido por ministro da Defesa
O ministro Nuno Severiano Teixeira vai interromper o Conselho de Ministros para, em nome do primeiro-ministro e em conjunto com o secretário de Estado da Defesa e o secretário de Estado da Agricultura e das Pescas, receber José Festas, afirmou a mesma fonte. O ministro da Defesa pediu sábado uma averiguação aos factos relacionados com o naufrágio da embarcação Luz do Sameiro e com as operações de socorro, nomeadamente por parte da Marinha e da Força Aérea.
Fonte do gabinete do ministro da Defesa disse hoje à Lusa que os relatórios da Força Aérea e da Marinha «foram recebidos quarta- feira à noite, mas ainda não foram analisados». Outra fonte do mesmo gabinete adiantou que um dos relatórios é ainda preliminar.
O mestre José Festas, de Vila do Conde, decidiu reunir assinaturas em prol de mais meios de segurança, na sequência do naufrágio de um barco de pesca na Nazaré com sete tripulantes a bordo, dos quais três foram encontrados sem vida e outros três permanecem desaparecidos. Cerca das 12:15, José Festas estava a ser recebido na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, por um assessor militar e um assessor para a Agricultura e Pescas de José Sócrates.
O mestre José Festas disse querer entregar um manifesto a pedir mais segurança no mar ao Presidente da República, primeiro-ministro e ministros da Defesa e da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, recusando-se a entregá-lo a outras pessoas dos gabinetes. Hoje de manhã, foi recebido por um assessor do Presidente da República, Cavaco Silva, mas recusou entregar o manifesto, reiterando a intenção de o entregar pessoalmente ao Chefe de Estado.
O responsável pelas operações de resgate do «Luz do Sameiro» defendeu hoje a construção de «pontos de fixação» na dianteira e traseira dos barcos de pesca, que permitem o resgate através de cabos em caso de naufrágio."
Fonte: Diário Digital / Lusa - 4-1-007
"Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins" exige que o Governo pague indemnizações às famílias das vítimas do "Luz do Sameiro"
Segundo o dirigente sindical, "o Governo deve ser o responsável, porque não salvou os pescadores, por não ter meios no local, independentemente de haver ou não erro humano [da parte dos tripulantes da embarcação naufragada]". Para Joaquim Piló, o Governo deve também "meter a mão no bolso e tirar dinheiro para pôr mais meios de salvamento nas zonas piscatórias".
Em declarações à agência Lusa, o sindicalista critica também que nas operações de socorro aos tripulantes do "Luz do Sameiro" não tenha sido utilizada uma moto de água ou um lança cabos [pistola com capacidade de lançamento de um cabo entre duas embarcações ou entre terra e uma embarcação]. O sindicalista diz que "a Capitania do Porto da Nazaré não tem um lança cabos, que é uma coisa que não se admite".
Refutando estas críticas, o comandante da Capitania do Porto da Nazaré, José Manuel Neto, disse à agência Lusa ter ponderado a utilização de uma moto de água da Associação de Nadadores Salvadores da Nazaré, "mas, avaliando as condições meteorológicas concluiu-se que só havia possibilidade de fazer evacuações verticais", ou seja, por meios aéreos. Quanto ao lança cabos, e não negando a inexistência de uma dessas pistolas na Capitania, o comandante disse que "a embarcação tinha movimentos desordenados, com os tripulantes a tentarem segurar- se e, para que esses aparelhos sejam utilizados, há a necessidade de participação dos tripulantes", o que no caso não seria possível.
Para Joaquim Piló, a situação de "deficiência" nos meios de salvamento marítimo é "nacional", sendo urgente que, além da aposta do Governo no reforço de meios, os armadores possam contar com benefícios fiscais na aquisição de equipamentos de segurança para as suas embarcações. "Os coletes que permitem ao pescador trabalhar são muito caros e, por exemplo, seria bom que o Governo os isentasse de IVA", disse Pilo à agência Lusa, acrescentando que a formação dos agentes de segurança marítima deve ser também reforçada.
"A nossa costa, de Lisboa para norte, é muito perigosa, baixa, com remoinhos, é preciso conhecê-la e estar preparado para ela", acrescentou. O naufrágio do barco "Luz do Sameiro" na praia da Légua (concelho de Alcobaça) provocou três mortos e três desaparecidos, apenas tendo sido resgatado um tripulante com vida.
Segundo o comandante da Capitania do porto da Nazaré, estão a ser realizadas buscas terrestres para encontrar os corpos desaparecidos, entre o local do naufrágio e a Praia da Concha, já no concelho da Marinha Grande. Além da Polícia Marítima, estão envolvidos meios dos Bombeiros Voluntários de Pataias e da Marinha Grande."
Fonte: RTP/ LUSA - 4-1-007
Representante dos pescadores de Caxinas recebido por assessor de Cavaco
"O representante dos pescadores de Caxinas foi hoje recebido por um assessor do presidente da República. O objectivo era entregar pessoalmente ao chefe de Estado um manifesto por mais segurança no mar. Como Cavaco Silva não recebeu o mestre José Festas, o documento não foi entregue.
"Fui muito bem recebido, mas desde que não deixe os documentos não vou satisfeito", disse, depois de ser recebido pelo assessor para a Segurança Nacional, Abílio Morgado.
O mestre José Festas quer também entregar o manifesto em mão ao primeiro-ministro e ministros da Agricultura e da Defesa. Se não conseguir, o mestre José Festas diz que realizará um plenário da recém constituída comissão "Pró-segurança maior dos homens do mar" para "tomar medidas".
O representante dos pescadores de Caxinas afirmou que o assessor do presidente da República manifestou a solidariedade de Cavaco Silva e transmitiu-lhe os sentimentos às famílias das vítimas.
A embarcação de pesca "Luz do Sameiro" naufragou sexta-feira, a Norte da Nazaré, com sete tripulantes – um sobreviveu, três corpos foram resgatados do mar e outros três estão desaparecidos. "
Fonte: Jornal de Notícias - 4-1-007
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Mar de gente nas Caxinas na despedida dos pescadores
Os sinos da Igreja do Nosso Senhor dos Navegantes assinalaram, às 15h, o início das cerimónias fúnebres. Da capela com o mesmo nome, a escassos metros, saíram os carros mortuários, religiosamente seguidos pelos familiares das vítimas, cuja expressão no olhar não escondia a dor da perda. Percorreu-se parte da Avenida D. António Bento Martins Júnior que, juntamente com outras artérias circundantes, esteve durante a tarde de ontem condicionada ao trânsito, até à Igreja do Nosso Senhor dos Navegantes, onde decorreu a missa.
Caxinas mostrou que está de luto, mas não esquece os homens que estão vivos e que diariamente arriscam a vida no mar. Numa manifestação de solidariedade com os familiares das vítimas, o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, marcou presença no funeral. A hora, “é de dor, mas também de impotência e indignação”, observou, mostrando-se crítico quanto à actuação das equipas de salvamento. Por isso, numa altura em que o país “está particularmente sensível para esta questão, é preciso que se continue a falar nela para além destes dias”. Acreditando que as vítimas “não serão esquecidas”, o autarca socialista defendeu a existência, durante 24 horas por dia, de equipas salva-vidas, bem como meios aéreos para cobrir a extensão marítima entre Viana do Castelo e Aveiro. Aliás, Mário de Almeida adiantou mesmo que a Câmara de Vila do Conde está disponível para arranjar o terreno de aterragem. “Só é preciso o helicóptero”, advertiu.
Enquanto o assunto toma dimensões a nível nacional, a autarquia continua a prestar apoio aos familiares das vítimas, que têm recebido ajuda de assistentes sociais e psicólogas.
Reclamações chegam a Lisboa
Com a dor de quem conhece as adversidades da profissão, José Festas, presidente da Comissão para o Salvamento de Homens no Mar lamentou, mais uma vez, a tragédia que se abateu sobre Caxinas. Para alertar as autoridades para o problema, hoje mesmo desloca-se a Lisboa com o objectivo de reunir com o primeiro-ministro, com os ministros da Defesa e das Pescas e com os diferentes grupos parlamentares. Para já, garantiu, “não queremos entrar em guerra e, por isso, vou a Lisboa sozinho”. Mas, “se não me receberem, podem vir a contar com uma manifestação das pessoas de Caxinas”, avisou. José Festas vai à Capital reclamar homens nos salva-vidas durante 24h/dia e meios aéreos prontos."
Indicações via satélite da embarcação foram insuficientes
O Comando Naval do Continente recebeu um SOS da embarcação naufragada sexta-feira nas imediações da Nazaré, mas as indicações recebidas por satélite eram insuficientes para saber onde se encontrava, disse ontem à Lusa fonte da autoridade marítima. Só o processo de triangulação permite a localização exacta de uma embarcação em dificuldades, o que, no caso concreto, não foi de imediato possível, tendo em conta a orbita desfavorável de dois dos três satélites necessários à operação.
O comandante da capitania da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, Carrundo Dias, que forneceu estas explicações, testemunhou à Lusa que foi questionado pelo Comando Naval, pouco depois do naufrágio, acerca do paradeiro da embarcação “Senhora da Luz”, que estava matriculada em Vila do Conde. Só mais tarde foi possível a triangulação de satélites, o que terá atrasado as operações de socorro, admite Carrundo Dias, ainda que espera esclarecimentos mais detalhados através do inquérito pedido à Marinha pelo Ministério da Defesa.
O oficial precisou que a embarcação, que tinha sido vistoriada a 11 de Setembro, respeitava todos os procedimentos de segurança, tendo balsas, salva-vidas, coletes individuais e o aparelho que sinaliza situações críticas para um satélite. O aparelho da “Senhora da Luz” permitia a sinalização destas situações manualmente ou automaticamente. Três pescadores continuam desaparecidos, depois de outros três terem sido encontrados sem vida. O dono do barco, vários outros armadores e o pescador sobrevivente queixaram-se da demora no aparecimento de meios de salvamento eficazes e o Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte escreveu ao Procurador-Geral da República a pedir explicações sobre o sucedido."
Patrícia Gonçalves
Fonte: O Primeiro de Janeiro -3-1-007
Satélite "não descobriu" onde se encontrava embarcação naufragada
O comandante da capitania da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, Carrundo Dias, que forneceu estas explicações, testemunhou à Lusa que foi questionado pelo Comando Naval, pouco depois do naufrágio, acerca do paradeiro da embarcação "Senhora da Luz", que estava matriculada em Vila do Conde. Só mais tarde foi possível a triangulação de satélites, o que terá atrasado as operações de socorro, admite Carrundo Dias, ainda que espere esclarecimentos mais detalhados através do inquérito pedido à Marinha pelo Ministério da De fesa.
O oficial precisou que a embarcação, que tinha sido vistoriada a 11 de Setembro, respeitava todos os procedimentos de segurança, tendo balsas, salva-vidas, coletes individuais e o aparelho que sinaliza situações críticas para um satélite. O aparelho da "Senhora da Luz" permitia a sinalização destas situações manualmente ou automaticamente.
O dono do barco, vários outros armadores e o pescador sobrevivente queixaram-se da demora no aparecimento de meios de salvamento eficazes e o Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte escreveu ao Procurador-Geral da República a pedir explicações sobre o sucedido.
Com grande parte da pesqueira de Vila do Conde parada em protesto pela alegada ineficácia dos meios de socorro, os pescadores decidiram rumar quinta-feira a Lisboa para entregar ao Governo um documento pedindo mais meios de socorro, no mar e no ar, em regime de permanência.
As autarquias de Via do Conde e Nazaré também pediram melhores meios de socorro. "O que se viu foi um conjunto de pescadores a pedir, durante horas, por um socorro que nunca mais chegou", lamentou o presidente da Câmara de Vila do C onde, Mário de Almeida.
Carrundo Dias não comentou estas posições mas, tendo por base a sua experiência de dois anos à frente da Capitania da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, defendeu que Portugal tem os meios de socorro no mar adequados às suas possibilidades económicas. O capitão da zona onde se concentra a maior comunidade piscatória portuguesa considera que o socorro no mar registou mesmo uma substancial melhoria com a afectação a este serviço dos helicópteros Merlin, que podem voar de noite. Anteriormente, o socorro por helicóptero era efectuado por aparelhos Puma, que só podem voar em período diurno, esclareceu o oficial.
Segundo Carrundo Dias, os helicópteros estão estacionados na base do Montijo e podem chegar a Caminha em 40 minutos, um período de tempo tido por razoável. "É certo que poderia haver helicópteros estacionados noutros pontos da costa, que permitiriam um socorro mais directo, e não seria nada de surrealista. Mas temos os meios adequados à situação financeira do país", disse. Em todo o caso, alertou, "há sempre um tempo mínimo para accionar os meios de intervenção. Não é só estalar os dedos", avisou."
Fonte: RTP / LUSA - 3-1-007
Mestre José Festas desloca-se a Lisboa com abaixo-assinado
Em declarações à agência Lusa, o mestre José Festas afirmou que preside a uma comissão designada "pró-segurança maior dos homens do mar", criada após o naufrágio de sexta-feira na Nazaré, para reclamar mais meios de vigilância e socorro. Segundo José Festas, o documento tem "400 assinaturas de mestres que representam 10.000 pescadores". O abaixo-assinado é também subscrito pelos presidentes das câmaras municipais de Vila do Conde e Póvoa de Varzim e respectivas juntas de freguesia.
Este documento exige mais homens nos salva-vidas, 24 horas por dia, melhores salva-vidas, "como na vizinha Espanha", meios aéreos "necessários 24 horas por dia", prontos a actuar, pessoal no controlo em permanência, a criação de postos de salvamento ao longo de toda a costa com pessoas especializadas e com todos os meios necessários para se efectuarem os salvamentos e a construção de pelo menos três barcos salva-vidas para vigiarem o mar de Norte a Sul do país. Entre os signatários estão também a Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN), Associação Agropesca, Mútua de Pescadores e Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte.
Após o naufrágio na Nazaré, na sexta-feira passada, três pescadores foram encontrados mortos e outros três continuam desaparecidos, tendo sido resgatado apenas um tripulante com vida. O caso tem estado a motivar críticas no âmbito do socorro por parte de pescadores, familiares, sindicatos e autarcas.
A Marinha não reage às críticas, mas destaca que não foi enviado qualquer aviso de emergência pelos pescadores, tendo apenas sido transmitida uma informação da bóia de rádio-baliza, a identificar o barco pelo nome, mas sem a localização. Em declarações à agência Lusa, o comandante Braz de Oliveira explicou tratar-se de um sinal automático emitido pelo barco, o que significa que a embarcação "já estava em muitos apuros". "Ao contrário do que as pessoas possam pensar, o facto de estar muito perto de terra coloca os pescadores na zona de maior perigo", indicou.
Segundo o comandante, o resgate foi ainda dificultado por redes que se encontravam espalhadas naquela zona e a única hipótese era o recurso ao helicóptero, que foi accionado. O comandante adiantou que ao nível de meios, estão em construção no Alfeite três novas lanchas para o Instituto de Socorros a Náufragos e que toda a costa portuguesa está protegida no âmbito das capitanias.
A Marinha tem o Centro de Busca e Salvamento, que faz o emprego dos meios e tem meios de grande porte que estão permanentemente no mar, acrescentou, ressalvando que este caso teve a particularidade de se verificar perto de terra, o que não é sinónimo de facilidade, nomeadamente devido à rebentação das ondas. "Quantas vezes as pessoas estão a afogar-se na praia e não as conseguimos salvar?", questionou.
Um sindicato de pescadores açorianos acusou hoje os sucessivos governos da República de falta de investimento na segurança marítima e vigilância do mar português e considerou deficiente a operação de salvamento do barco que naufragou na Nazaré.
O barco de pesca "Luz do Sameiro", naufragado na Praia da Légua, a Norte da Nazaré, deverá ser ainda hoje transportado por terra para o porto desta vila piscatória. O barco foi retirado da água hoje de madrugada, após várias tentativas.
A Câmara de Peniche defendeu terça-feira que os portos de pesca devem ser dotados de meios de socorro modernos e céleres, associando-se a pescadores que também fazem aquela exigência ao Governo. Durante as operações de resgate do barco foram usadas máquinas de rasto para retirar as redes que se encontravam junto à embarcação e que, a par das condições adversas do estado do mar nos últimos dias, contribuíram para aumentar as dificuldades do resgate da embarcação.
A comunidade piscatória de Caxinas, Vila do Conde, interrompeu a faina terça-feira, só a retomando hoje, em homenagem aos colegas e em protesto pelo que consideraram ineficácia dos meios de socorro. "Queremos prestar homenagem aos colegas mortos, mas também chamar a atenção para a falta de meios de socorro no mar", disse à Lusa José Meireles, do Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte.
As operações de resgate do barco tiveram de ser suspensas terça-feira ao final da manhã, após rebentar um cabo de aço que puxava a embarcação para terra e que havia sido amarrado por mergulhadores. O mau estado do mar foi outro obstáculo à operação de remoção do barco, uma vez que segunda-feira se verificava ondulação violenta e correntes fortes, que impediam a continuação dos trabalhos."
Fonte: RTP /LUSA - 3-1-007
"Hoje de manhã, o “Luz do Sameiro”, que naufragou na sexta-feira, foi finalmente resgatado ao mar. Os responsáveis pela operação entraram no navio, mas não encontraram a bordo qualquer corpo, apesar das expectativas. À volta do barco foi aberta uma vala, na qual o barco deverá flutuar quando a maré voltar a encher. O objectivo é fazê-lo flutuar para fora da zona de influência das marés, para depois ser transportado para o porto da Nazaré e ser rebocado para o estaleiro local. Toda esta operação deverá prolongar-se durante muitas horas – os responsáveis admitem mesmo três ou quatro dias até que o navio saia da praia.
Neste naufrágio perderam a vida três tripulantes, de Vila do Conde. Os funerais estão marcados para hoje, às 15 horas, nas Caxinas, um bairro de pescadores daquele concelho. Os sentimentos estão ao rubro e os pescadores criticam a falta de meios de socorro. Para que as suas reivindicações cheguem a quem de direito, já amanhã um representante da comissão entretanto constituída viaja até Lisboa, onde pretende ser recebido pelo Presidente da Republica e pelo Primeiro-ministro.
Embora as audiências não estejam marcadas, José Festas garante à Renascença que, a não ser recebido, se seguirá a maior manifestação de pescadores de todos os tempos. “Eles têm que me receber, porque estamos a falar de vidas humanas, de mortes, uma morte vale milhões de contos e 25 milhões de reuniões adiadas”, diz. “Eu tenho que ser recebido, a bem ou a mal, porque, se não for recebido, garanto que haverá a maior manifestação que Portugal já viu. Estamos a falar de pelo menos cinco mil pessoas, só a norte”, reforçou."
Fonte: Rádio Renascença - 3-1-007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Armadores, mestres e pescadores protestam contra os meios de segurança e de salvamento do Estado
Os armadores e mestres de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim desconfiam da eficácia dos meios de socorros a náufragos e preparam-se para rumar amanhã a Lisboa para fazer chegar ao Governo um caderno reivindicativo.
Hoje, grande parte da frota nortenha vai parar em sinal de protesto pela falta desses meios de segurança e em respeito pelos funerais, que se realizam esta tarde, de três tripulantes do Luz do Sameiro, a embarcação de Vila do Conde que naufragou na passada sexta-feira ao largo da Nazaré.
O dono do barco, vários outros armadores e o pescador sobrevivente queixaram-se da delonga no aparecimento de meios de salvamento (desde que foi dado o alerta) eficazes. O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, pediu inclusive à Marinha e à Força Aérea que averigúem os procedimentos de salvamento.
Os donos dos barcos e mestres de Vila do Conde e da Póvoa decidiram formar uma comissão, denominada "Para Maior Segurança dos Homens do Mar", que quer ser recebida pelo primeiro-ministro, pelo Presidente da República e pelos ministros da Defesa e da Pescas. Para alinhavar o documento reivindicativo, cerca de 150 homens do mar reuniram-se ontem junto à Igreja dos Navegantes, em Caxinas, de onde hoje sairão os funerais dos três tripulantes do Luz do Sameiro.
"Falta de coordenação intolerável"
José Festas, da comissão, enumerou as pretensões dos armadores: "Homens em salva-vidas durante 24 horas por dia, melhores barcos salva-vidas (pelo menos como os de Espanha), os necessários meios aéreos prontos a actuar 24 horas por dia, [colocação de] pessoal no controlo por satélite de dia e noite, serem feitos postos de salvamento ao longo de toda a costa com pessoas e meios especializados." Os pescadores querem ainda que o Governo mande fazer "três barcos salva-vidas para estarem permanentemente no mar de norte a sul do país".
O presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, considera que os "meios de salvamento continuam a ser ineficazes". No seu entender, o naufrágio que se verificou na Nazaré "chocou o país inteiro" e o que se viu foi um conjunto de pescadores "a pedir, durante horas, por um socorro que nunca mais chegou". "Quando nos parecia que quase estendendo a mão conseguíamos tirá-los. Acho que há uma falta de coordenação intolerável."
"A pesca decorre normalmente durante a noite e durante a noite há serviços que não estão em pleno trabalho, que é uma coisa inconcebível", acrescentou o autarca, que há 20 anos manifestou a disposição da câmara em construir um local para estacionamento de um helicóptero de salvamento, desde que o Estado pagasse o aparelho que serviria a área entre Aveiro e a Galiza."
Ângelo Teixeira Marques
Fonte: Público - 03-1-007
terça-feira, janeiro 02, 2007
Pescadores das Caxinas param faina entre Sexta-feira (30/12) a Quarta-Feira (3/01) em homenagem aos colegas vítimas de naufrágio.
"A comunidade piscatória das Caxinas, Vila do Conde, interrompeu hoje a faina e só a retoma quarta-feira, em homenagem aos três colegas mortos e aos três desaparecidos, na Nazaré, e em protesto pela ineficácia dos meios de socorro.
"Queremos prestar homenagem aos colegas mortos, mas também chamar a atenção para a falta de meios de socorro no mar", disse à Lusa José Meireles, do Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte
Também em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, afirmou que se associa às preocupações dos pescadores e defendeu a necessidade de meios de socorro disponíveis em permanência, mais modernos e céleres. "É fundamental que existam salva-vidas modernos, rápidos e eficazes, disponíveis 24 horas por dia, tendo em conta que muitos pescadores trabalham de noite", disse o autarca.
Mário Almeida considerou também "imprescindível" a afectação de helicópteros ao socorro no mar, afirmando que mantém a disponibilidade, manifestada há duas décadas, para afectar um terreno de Vila do Conde a um heliporto. "Vila do Conde tem a maior comunidade piscatória do Norte do Pais [três a quatro mil pescadores] e está numa zona estratégica para a actividade, entre Viana do Castelo e Aveiro", disse.
O Sindicato dos Trabalhadores de Pesca do Norte escreveu sexta-feira ao Procurador-Geral da República (PGR) e ao Governo exigindo o apuramento de responsabilidades na alegada morosidade do socorro aos náufragos da "Luz do Sameiro".
O governo já pediu esclarecimentos sobre o assunto à Marinha Portuguesa.
Segundo fonte da comunidade piscatória, os corpos dos três pescadores já resgatados na praia da Légua chegam às Caxinas entre as 15:00 e as 16:00 de hoje e ficarão em câmara ardente na Igreja do Barco. Os funerais realizam-se quarta-feira, a partir das 15:00, com missa de corpo presente comum. Um dos funerais segue para o cemitério de Vila do Conde, outro para o das Caxinas e um terceiro para o da Póvoa de Varzim
Três dos pescadores que seguiam a bordo da "Luz do Sameiro" continuam desaparecidos, depois de outros três terem sido encontrados sem vida. Apenas um tripulante, de nacionalidade ucraniana, foi resgatado com vida.
As buscas para encontrar os três desaparecidos continuam, principalmente a norte da praia da Légua, a cargo da Polícia Marítima. Segundo o comandante José Miguel Neto, as buscas contam também com elementos dos Bombeiros Voluntários de Pataias (concelho de Alcobaça), por terra na zona mais próxima do naufrágio, e com um navio patrulha da Marinha, no mar."
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Caxinas perdeu 79 pescadores nos ultimos 26 anos.
O naufrágio do barco de pesca ‘Cordeiro de Deus’ roubou a vida a quatro pescadores
03/08/1980
Três pescadores de Caxinas morrem no afundamento da embarcação de pesca ‘Vila Mar’
03/02/1981
O pesqueiro ‘Bela dos Anjos’ vai ao fundo. Morreram sete tripulantes tragados pelas ondas
02/04/1981
Três tripulantes do barco de pesca ‘Ao Gosto dos Filhos’ perderam a vida no naufrágio
07/05/1982
Um dos mais trágicos desastres que enlutaram Caxinas, o ‘Sónia Natália’, arrasta 7 pescadores
12/05/1983
Um pescador morre no naufrágio do barco ‘Manuel Moreira’, dedicado à faina artesanal
23/10/1984
Afunda-se a embarcação de pesca ‘Averomar’. Morrem dois tripulantes do barco
01/01/1985
José Martins Reina e António Gonçalves. Outros dois filhos de Caxinas que morrem no mar
07/02/1985
A embarcação ‘Flor do Sol’ é engolida pelas águas. Nove pessoas perdem a vida
06/02/1988
Sete tripulantes do pesqueiro ‘Cláudio Manuel’ morrem em sequência do naufrágio do barco
11/11/1988
O pescador Francisco Fernandes Areias não resiste ao afundamento do barco onde trabalhava
21/09/1989
Um acidente com a embarcação em que seguia vitima o pescador Fernando Pereira
20/10/1989
05/12/1989
O pesqueiro ‘São Ricardo’ afunda-se e arrasta para a morte dois pescadores de Caxinas
05/02/1990
O ‘Maria Salomé’ afunda-se nas águas. Um dos tripulantes morre, vítima de afogamento
14/10/1991
A 14 de Outubro, 14 pescadores perdem a vida no naufrágio do ‘Ilha de S. Vicente’
27/11/1991
Dois mortos é o resultado do naufrágio da embarcação de pesca ‘Vianez José’
23/03/1992
O ‘Senhora da Franqueira’ perde um dos seus tripulantes, morto no afundamento do barco
13/01/1994
19/10/2004
Trágico afundamento do ‘Salgueirinha’ causa a morte a seis tripulantes da embarcação
Fonte: Correio da Manhã - 30-12-06

